Quando falamos em produto e desenvolvimento, ou em P&D, estamos nos referindo a um constante desafio para as indústrias brasileiras. Ele é a primeira das cinco fases da cadeia de valor de tudo que é fabricado e oferecido ao mercado em forma de mercadoria, composta também por insumos, produção, marketing/vendas/distribuição e pós vendas.

Com a constante sistematização desse processo, essa questão tomou ainda mais corpo, uma vez que muitas organizações ainda não estão totalmente adaptadas à chamada Quarta Revolução Industrial, ou indústria 4.0, que, em poucas palavras, diz respeito à utilização de tecnologias e abordagens inovadoras (computação em nuvem, sensores, soluções em BI e Analytics, big data, robótica etc.) para gerar diferenciação, incrementar produtividade, reduzir custos etc.

De acordo com um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado em 2016, cerca de 42% das indústrias brasileiras desconhecem o valor da tecnologia digital para a competitividade de seus negócios e mais de 50% sequer utilizam algum tipo de ferramenta digital. O que é bem preocupante, visto que este percentual equivale a milhares de organizações de todos os portes e em vários setores da economia nacional.

Sobre tudo isso vamos conversar ao longo deste artigo. Você vai ver, a seguir, uma reflexão acerca de como a tecnologia pode ajudar as indústrias a vencerem os desafios do P&D e seguir crescendo num mercado altamente competitivo. Acompanhe!

A tecnologia no mercado de indústrias atual

Quando a Promotion chega em uma indústria para desenvolver um projeto ou uma solução, é muito comum que seja necessário “vender” a ideia da importância da adoção da tecnologia nas indústrias, e não apenas oferecer um produto que trará benefícios para o processo produtivo.

Apesar dos grandes avanços dos últimos anos, o Brasil ainda não é um país onde os empresários da indústria tenham entendido completamente a importância dos recursos e serviços tecnológicos. Além disso, o fator econômico também influencia muito. Diversas organizações não conseguem modernizar seus parques fabris por falta de recursos, sobretudo aquelas que ainda veem a tecnologia como um gasto.

Outra dificuldade é conseguir que as indústrias entendam que não basta adquirir produtos ou soluções tecnológicas isoladas, mas sim pensar em estratégias completas que atendam a nova realidade da indústria 4.0. É preciso pensar de uma maneira estrutural, colocando a tecnologia como mola propulsora do desenvolvimento e não meramente como um apoio momentâneo.

Também vale lembrar que a aquisição de serviços tecnológicos de integração, por exemplo, não é suficiente se as indústrias não contam com um corpo técnico qualificado para gerenciar e administrar os recursos e serviços. Boa parte dos profissionais da indústria brasileira não têm o conhecimento nem a experiência necessários para a nova realidade da indústria 4.0. O entendimento dos profissionais da indústria, principalmente em relação à robótica, precisa avançar bastante.

E quanto ao desafio financeiro, sabemos que o país ainda vive os resquícios de uma grande recessão econômica. Isso se agrava pela falta de uma cultura de planejamento de longo prazo, o que faz com que nosso empresariado só veja valor em investimentos que trazem retorno imediato.

A importância do desenvolvimento tecnológico nas indústrias

Contudo, na contramão do pensamento comum brasileiro, o empresário industrial deveria pensar sob outra perspectiva, de que apesar do pouco recurso, a crise também é um momento de planejamento, já que quem investir agora em tecnologias industriais terá um retorno daqui a cerca de dois anos ou até mais que isso.

É o que aponta o relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI): “Os impactos [da adoção de ferramentas e recursos tecnológicos inovadores] irão muito além de ganhos de produtividade no chão de fábrica. Essa nova revolução industrial vai envolver o encurtamento dos prazos de lançamento de novos produtos no mercado, a maior flexibilidade das linhas de produção, com aumento da produtividade e da eficiência no uso de recursos (e.g. energia) e, até mesmo, a capacidade das empresas de se integrarem em cadeias globais de valor”.

Um outro apontamento nessa direção vem da consultoria McKinsey. Em 2015, ela publicou um estudo no qual afirma que o desenvolvimento tecnológico deve gerar os seguintes impactos na indústria mundial até 2025:

  • queda nos custos de manutenção de equipamentos entre 10% e 40%;

  • redução de consumo energético entre 10% e 20%;

  • aumento da eficiência do trabalho e da produtividade entre  10% e 25%.

Os principais desafios de produto e desenvolvimento

Quando entramos especificamente em produto e desenvolvimento, ou em P&D, nos deparamos com a necessidade de um pensamento mais focado na qualidade de implantar novas tecnologias na indústria pensando na melhoria do processo produtivo como um todo.

Se o processo produtivo não for de qualidade e bem integrado, ele pode tornar inútil um produto que a princípio é excelente. As empresas que têm grande potencial de crescimento mas não investem em automação no chão de fábrica, por exemplo, não conseguem crescer, visto que agora competem com mercadorias chinesas além de inovações vindas de startups e empreendimentos baseados em tecnologia.

Conforme a pesquisa da CNI, hoje o setor industrial mais defasado no que diz respeito a inovação e automação é o moveleiro. A indústria alimentícia ainda tem muito a avançar, mas já está de olho no processo da indústria 4.0.

Já no que diz respeito à utilização de soluções digitais para os processos da indústria como um todo, os segmentos com menor adoção são vestuário, calçados e farmacêutico.

Veja, a seguir, uma lista com os principais desafios quando se trata da utilização da tecnologia em produto e desenvolvimento nas indústrias brasileiras:

  • escassez de recursos financeiros;

  • cultura de planejamento em curto prazo;

  • falta de conhecimento acerca do potencial tecnológico para o desenvolvimento de produtos mais competitivos;

  • descolamento da ciência com as técnicas e práticas industriais que, no extremo, gera ceticismo entre os industriais sobre os resultados a serem obtidos com a tecnologia;

  • falta de mão de obra qualificada para implementar e gerenciar soluções tecnológicas inovadoras bem como para disseminar a cultura da indústria 4.0;

Como sua empresa tem trabalhado para vencer os desafios em P&D? O que você achou dos apontamentos acerca das dificuldades de seguir avançando em produto e desenvolvimento? Acompanhe nossas publicações também através das redes sociais: Facebook, LinkedIn e Google +!

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