Também conhecida como manufatura avançada pelos americanos e chineses, o termo indústria 4.0 é germânico. A terminologia foi usada pela primeira vez pelos alemães, na Feira de Hannover, em 2011. Eles cunharam a terminologia em função das três revoluções industriais, indicando que a nova fase diz respeito às máquinas baseadas em sistemas ciber-físicos e redes inteligentes usadas ao longo de todo o processo produtivo.

Embora o Brasil ainda tenha que avançar muito em relação às fábricas inteligentes, que possuem capacidade e autonomia de prever falhas, agendar manutenções e planejar mudanças na produção, muito em breve essa realidade será instalada

Como será a indústria 4.0 para o mercado e para os profissionais

A indústria 4.0 está revolucionando as linhas de montagem, gerando produtos inovadores e, mais que isso, vai desenhar um novo cenário nas fábricas em todo o mundo. Embora o Brasil ainda caminhe a passos mais lentos que os países desenvolvidos, no que diz respeito a essa revolução, a tendência é que os robôs participativos no processo façam mudar também o perfil dos profissionais procurados pelo setor. É só uma questão de tempo para que as indústrias brasileiras se adaptem a esse novo conceito de fábrica inteligente.

Segundo relatório do Boston Consulting Group (BCG), a indústria 4.0 é composta principalmente por nove principais tecnologias, determinantes para a nova configuração de produtividade e crescimento das fábricas. São elas: robôs automatizados, manufatura aditiva, simulação, integração vertical e horizontal dos sistemas, internet das coisas, big data e analytics, computação em nuvem, segurança cibernética e realidade aumentada.

A realidade da rápida automatização atrelada à internet das coisas vai exigir um profissional mais qualificado, focado em tarefas estratégicas e no controle de projetos. Os profissionais vão deixar de desempenhar funções repetitivas, para então exercer atividades mais complexas e criativas, que exigirão novas habilidades técnicas e interpessoais bem específicas. Estes profissionais terão que lidar com máquinas dotadas de sensores que se comunicam entre si e, consequentemente, tornam o processo produtivo mais eficiente.

O ambiente das fábricas do futuro vai ser desafiador. É preciso estar aberto às mudanças, ter flexibilidade e disposição para se adaptar a interagir com robôs com maior frequência, e se habituar a uma aprendizagem rotineira e contínua frente a uma indústria que sempre estará se reinventando.

Conheça melhor o profissional exigido pela indústria 4.0 e se prepare para atuar na nova realidade do setor.

Visão técnica

O profissional da indústria 4.0 precisa ter uma visão técnica — resultante de uma formação multidisciplinar —, além de um olhar sistêmico dos processos. A formação técnica em mecânica, elétrica, automação, dentre outras áreas afins, é a base para um profissional que queira atuar na indústria 4.0.

Além de ter conhecimento sobre conceitos básicos dos processos industriais, o profissional da indústria 4.0 deve se preparar para trabalhar com máquinas que têm processos mais complexos, sistemas integrados e que disponibilizam o acesso a informações em tempo real.

Embora ainda não existam cursos específicos de capacitação para a indústria 4.0, os interessados em se aperfeiçoar devem ir em busca de treinamentos e workshops, que vão contribuir para o desenvolvimento das habilidades. O profissional da indústria 4.0 precisa entender o funcionamento das máquinas e dos processos e ainda interpretar e compilar as informações acessíveis por meio da cloud computing.

Capacidade de adaptação

O profissional da indústria 4.0 também deve ser mais flexível, ou seja, capaz de se adaptar às mudanças do setor industrial e às novas funções.

Nesse novo cenário industrial, as fábricas contam com equipamentos que emitem informações sobre o próprio ciclo de vida e sobre as operações que realizam. Se antes os profissionais trabalhavam com equipamentos que apenas recebiam ordens enviadas por um software, hoje as máquinas já são capazes de gerar dados sobre as operações produtivas e ainda emitir sinais sobre a necessidade de se realizar uma manutenção preventiva, por exemplo.

Lembrando que a maioria dessas informações reportadas pela máquina ao homem serão realizadas por meio de sistemas mobile e em nuvem. Muito além de apenas apertar botões, os profissionais da indústria 4.0 precisam ser capazes de interpretar informações produzidas por robôs inteligentes e tomar decisões, como veremos no próximo tópico.

Senso crítico

Além de visão técnica e capacidade de adaptação, o profissional da indústria 4.0 deve ter senso crítico para realizar o cruzamento de dados fornecidos pelas máquinas de maneira abrangente e tomar decisões acertadas a partir dessas informações fornecidas constantemente e em tempo real.

Os equipamentos usados na indústria 4.0 armazenam e propagam informações importantes para os envolvidos nos mais variados departamentos da indústria. Estes profissionais vão precisar avaliar de forma ágil e precisa dados gerais sobre a produção e o produto, além de conseguir concluir se os processos e os resultados estão eficientes.

A disseminação dos sistemas de Big Data permitirão que os colaboradores e os gestores da indústria estejam sempre conectados às máquinas e tenham mais conhecimento sobre os processos. Se antes as informações da indústria eram restritas aos sistemas internos das empresas, depois da quarta revolução industrial, os profissionais podem acompanhar, controlar e interferir nos processos industriais, de casa ou qualquer outro lugar, bem distante da fábrica.

Bom relacionamento

Pode até não parecer, mas a colaboração ganha cada vez mais força em ambientes digitalizados. O avanço dos processos automatizados exige diferentes competências dos profissionais, e manter um bom relacionamento com os demais colaboradores da indústria continua sendo importante para equilibrar as relações.

Considerando que as revoluções tecnológicas afetam todos os profissionais, desde os que trabalham no chão de fábrica até o alto escalão, manter o espírito colaborativo vai contribuir para os processos de mudanças.

Habilidade em outros idiomas

O inglês é referência para o mundo dos negócios, e mais ainda quando se trata de um profissional que vai atuar na indústria 4.0. O idioma é fundamental para a comunicação com  profissionais de outros países, para estudar — ler livros e artigos sobre as inovações tecnológicas industriais — e ainda trabalhar com máquinas importadas, já que a maioria dos sistemas é desenvolvido fora do Brasil.

Pesquisa e atualização constante

O profissional da indústria 4.0 deve ainda estar sempre de olho em pesquisas e se manter atualizado e bem informado. A implementação de tecnologias nos processos produtivos — como a inteligência artificial, Internet das Coisas, robótica e nanotecnologia — gera mudanças constantes no dia a dia das indústrias e para acompanhar essas evoluções em ritmo acelerado, é preciso estar envolvido em um processo de aprendizado contínuo.

Experiências práticas

Vale considerar ainda a importância de estagiar em empresas que já possuem tecnologias da indústria 4.0. O aprendizado na prática também vai preparar o profissional para lidar com essa nova realidade mercadológica.

Além da formação técnica, multidisciplinar e do comportamento de pesquisador, o profissional deve buscar por experiências práticas, que o envolvam em processos produtivos nesse novo formato industrial.

Como tornar-se um profissional da indústria 4.0

O principal desafio para o Brasil frente a esse cenário da indústria 4.0 está em mudar a formação dos profissionais para que eles se tornem aptos a atuar em fábricas avançadas. O profissional deve ser capaz de congregar vários tipos de conhecimentos para atuar em ambientes complexos, em que sistemas de TI comunicam com a parte mecânica, e gestores de diferentes áreas precisam decidir como e quando tudo isso vai funcionar em perfeita harmonia.

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